Quase quatro anos após protagonizar uma das maiores crises corporativas da história recente do país, a Americanas deu um passo importante para superar esse capítulo de sua trajetória.
A rede varejista comunicou ao mercado na noite de segunda-feira (19) que a Justiça do Rio de Janeiro decretou o encerramento de sua recuperação judicial, processo que havia sido iniciado em janeiro de 2023 após a revelação de uma fraude contábil superior a R$ 20 bilhões. A decisão judicial abrange também as subsidiárias B2W Digital Lux, JSM Global e ST Importações.
Detalhes da Decisão Judicial
O encerramento foi determinado pela 4ª Vara Empresarial da capital fluminense, com base no entendimento de que a companhia cumpriu todas as obrigações previstas no plano de recuperação que venceram nos dois anos seguintes à sua homologação, ocorrida em fevereiro de 2024.
A sentença foi assinada pelo juiz Arthur Eduardo Magalhães Ferreira, após a emissão de pareceres favoráveis por parte da administração judicial e do Ministério Público do Rio de Janeiro. A decisão, contudo, ainda está sujeita a recursos.
Além disso, a Justiça determinou que o Registro Público de Empresas e a Receita Federal sejam oficialmente comunicados para a retirada da expressão “em recuperação judicial” dos registros cadastrais de todas as empresas pertencentes ao grupo.
O plano de recuperação da companhia havia sido aprovado pelos credores e homologado em 26 de fevereiro de 2024. Já em março deste ano, a varejista protocolou o pedido de encerramento do processo, sustentando que as obrigações estipuladas para o período bienal haviam sido honradas.
Desafios e Desdobramentos da Crise
Apesar do fim da recuperação judicial, especialistas apontam que a medida não assegura uma fase imediata de forte crescimento. A empresa precisa demonstrar capacidade de sustentação financeira sem os artifícios contábeis que motivaram a crise, além de enfrentar um cenário desafiivo comum ao setor varejista, marcado pela concorrência acirrada com gigantes do comércio eletrônico, patamares elevados de juros e endividamento recorde na economia nacional.
Fundada em 1929, a Americanas recorreu à recuperação judicial no início de 2023 na sequência da descoberta das fraudes contábeis que desencadearam um dos maiores escândalos corporativos do Brasil. A instituição tem como acionistas de referência os empresários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira.
Embora a etapa de recuperação judicial tenha sido encerrada, o caso ainda possui desdobramentos em esferas paralelas:
- Arbitragem na B3: Em julho de 2026, a Câmara de Arbitragem do Mercado, vinculada à B3, extinguiu um procedimento iniciado em 2023 por acionistas minoritários devido à fraude contábil. A medida ocorreu após a desistência dos requerentes, que foram condenados a reembolsar a Americanas pelas custas processuais.
- Nova Arbitragem: O Instituto Empresa, representante de parte dos acionistas minoritários, apontou que um novo processo arbitral foi instaurado em janeiro de 2026 para apurar a responsabilização dos controladores da varejista. Na ocasião, a entidade criticou a comunicação da companhia ao mercado, classificando-a como restrita por omitir a existência da nova disputa.
Fonte original: InvestNews