O jovem Victor Calixto Gasques, de 24 anos, filho da gerente de banco Lílian Calixto, de 46 anos, declarou acreditar que sua mãe foi convencida pelo médico Denis Cesar Barros Furtado, amplamente conhecido como Dr. Bumbum, a realizar um procedimento estético dentro de um apartamento na cidade do Rio de Janeiro. Lílian faleceu no domingo (15) no Hospital Barra D'Or, e seu sepultamento ocorreu na manhã de quarta-feira (18) no Cemitério Parque Bom Jesus, em Cuiabá, capital do Mato Grosso.
De acordo com o depoimento de Victor, a vítima era uma pessoa extremamente cautelosa com a própria saúde e havia inicialmente agendado a intervenção estética nos glúteos com o profissional em uma clínica localizada em Brasília. No entanto, de última hora, foi informada pelo médico de que haveria um contratempo e que o atendimento precisaria ser transferido para o Rio de Janeiro.
"No Rio, ela teve uma surpresa quando viu que o endereço tratava-se de um apartamento. Eu conheço a minha mãe. Ela sempre teve medo dessas coisas, sempre foi muito correta. Só que, infelizmente, o médico fez a cabeça dela para realizar o procedimento no apartamento", relatou o filho. Victor também mencionou que uma amiga da mãe havia passado pelo mesmo tipo de procedimento com o mesmo médico cerca de 15 dias antes, o que pode ter gerado uma falsa sensação de segurança. Para a família, o profissional minimizou os riscos associados à técnica para persuadir a paciente.
Diante da tragédia, os familiares confirmaram que pretendem adotar todas as medidas judiciais cabíveis contra o médico e os demais envolvidos. "A Justiça tem que ser feita para que isso não ocorra com outras famílias. Eu perdi a pessoa mais importante da minha vida. E agora? Nada vai trazê-la de volta, mas eu quero Justiça. Pelo menos isso a minha família merece", desabafou Victor.
O caso é investigado pelas autoridades policiais do Rio de Janeiro. Conforme as investigações preliminares, Lílian manteve contato com Denis por cerca de seis meses após a indicação de uma amiga. A viagem foi mantida em sigilo familiar, sendo compartilhada apenas com a pessoa que recomendou o médico. No dia do atendimento, Lílian deslocou-se até o endereço em um táxi, cujo motorista permaneceu aguardando na portaria. Devido à demora, o taxista tentou contato e acabou sendo dispensado pelo próprio médico com a quantia de R$ 300, sob a alegação de que a paciente demoraria pois participaria de um jantar.
Posteriormente, o médico e sua namorada transportaram a vítima de carro até o Hospital Barra D'Or. Após o óbito ser constatado, Denis deixou o local sem informar a equipe médica sobre a intervenção estética realizada anteriormente. Durante buscas no apartamento onde o procedimento ocorreu, a polícia apreendeu diversos produtos e cadernos com anotações.
A Justiça decretou a prisão preventiva de Denis Cesar Barros Furtado e de sua mãe, a também médica Maria de Fátima Barros Furtado, que permanecem considerados foragidos. A namorada do médico, Renata Fernandes Cirne, de 19 anos, e a auxiliar Rosilane Pereira da Silva também foram alvos de mandados de prisão expedidos sob as acusações de homicídio doloso qualificado e associação criminosa, embora a prisão de Rosilane não tenha sido autorizada judicialmente naquele momento.
A defesa de Denis Furtado, representada pela advogada Naiara Baldanza, manifestou-se por meio de nota oficial afirmando que é prematuro apontar culpados pelo ocorrido e sustentou que a paciente não teria apresentado complicações durante o procedimento. Paralelamente, o histórico do médico inclui antecedentes criminais registrados na polícia, abrangendo acusações ao longo dos anos por:
- Homicídio (1997)
- Porte de arma (2003)
- Crime contra a ordem pública (2003)
- Resistência à prisão (2006 e 2007)
- Exercício arbitrário da própria razão (2007)
- Violação de domicílio (2007)
Fonte original: G1